Pelo Comité Editorial Blog IVI Doa

doação de óvulos

O que é a doação de óvulos?

A doação de óvulos é um ato altruísta que permite que uma mulher realize o sonho de ser mãe. Várias mulheres têm dificuldades em conseguir engravidar com os seus próprios óvulos, e a doação pode ser a solução para estes casos.

Os óvulos da dadora serão recolhidos após a estimulação hormonal para que sejam viáveis para utilização no processo de Fertilização in Vitro.

 

O que são óvulos?

Os óvulos são as células de reprodução feminina. As mulheres nascem já com todos os seus óvulos, presentes nos ovários, nas gónadas femininas. Cada mulher nasce com centenas de milhares destas células (óvulos) e só algumas se vão desenvolver na totalidade e ter a capacidade de serem fecundadas. Ao longo da sua vida, não vão ser produzidas novas células, pelo que cada mulher tem um número limitado de óvulos viáveis.

Por diversos motivos, algumas mulheres podem não ter óvulos em quantidade suficiente ou com qualidade para conseguirem engravidar. Isto pode acontecer por motivos de doença, como a menopausa precoce que leva a uma insuficiência ovárica prematura, ou porque os seus óvulos foram destruídos devido a quimioterapia ou até removidos por cirurgia.

O fator mais conhecido e frequente para a falta de óvulos viáveis decorre da diminuição da quantidade e qualidade dos mesmos devido à idade da mulher. Este processo de redução inicia-se pouco depois da puberdade e acelera significativamente após os 40 anos de idade.

 

Quem pode doar óvulos?

De acordo com a Lei Portuguesa, as mulheres entre os 18 e os 33 anos de idade podem ser dadoras de óvulos. As beneficiárias desta doação são mulheres que podem estar ou não numa relação.

Para além do seu espírito altruísta, as dadoras têm de cumprir alguns requisitos. A par da faixa etária já mencionada (18 – 33 anos), as candidatas não podem ser portadoras de doenças hereditárias nem podem ter uma infeção sexualmente transmissível. Adicionalmente, devem ser saudáveis, física e psicologicamente.

 

Como é o processo de doação?

O primeiro passo no processo de doação é a realização de uma consulta médica. O processo de doação deve ser totalmente seguro, tanto a nível físico como mental. Por isso, numa primeira fase, verifica-se o estado de saúde da dadora, através de análises médicas, e confirma-se a sua vontade de doar.

Para avançar com o processo, a dadora realiza um tratamento não invasivo, para estimular os ovários através de hormonas. Este tratamento consiste na injeção de hormonas por baixo da pele da barriga com um dispositivo que torna o processo simples e essencialmente indolor.

Após alguns dias de tratamento, entre 10 e 12 dias, o especialista em reprodução assistida determina qual será o momento mais adequado para a colheita dos óvulos. A colheita é feita através de punção folicular e é um processo rápido e simples, normalmente realizado com sedação local.

A colheita consiste na aspiração, por via vaginal, dos folículos do ovário, onde se encontram os óvulos. Posteriormente, em laboratório, as células são identificadas e preparadas para utilização em técnicas de procriação medicamente assistida (PMA). A dadora regressa a sua casa no mesmo dia.

 

Compensação pela doação

De acordo com a Lei Portuguesa (n.º 3 do Despacho 3192/2017, publicado no Diário da República n.º 75, 2.ª Série, de 17 de abril de 2017) a doação de óvulos é um processo voluntário, de carácter benévolo.

Como resultado deste processo, as dadoras são compensadas num valor máximo de 878 € (calculado de acordo com o dobro do Valor do Indexante de Apoios Sociais em vigor).

 

Efeitos secundários

A preocupação com possíveis efeitos secundários derivados da doação é perfeitamente natural e compreensível. No entanto, a doação é um processo seguro e desenhado para garantir a proteção do bem-estar da dadora.

Uma das preocupações das dadoras pode estar relacionada com o impacto da doação na sua própria contagem de óvulos. Devido ao ciclo menstrual, os óvulos doados, caso não fossem recolhidos, seriam desperdiçados. Assim, este processo não tem consequências para a reserva de óvulos da mulher que realizou a doação. Todos os meses, todas as mulheres em idade fértil perdem folículos com óvulos. Mesmo quando a mulher não ovula, por exemplo, quando toma a pílula contracetiva, existe um declínio da reserva de óvulos.

Com o tratamento de estimulação hormonal poderá, em casos raros, haver o risco de hiperestimulação dos ovários. Contudo, este é um risco relativamente fácil de controlar, devido à medicação utilizada. Em casos muito raros pode ocorrer uma infeção ou uma hemorragia, mas o rigoroso acompanhamento das dadoras minimiza, ainda mais, esta possibilidade e garante um tratamento célere.

Outra preocupação pode estar relacionada com obrigações e deveres futuros. Todas as informações sobre a dadora são tratadas com a máxima confidencialidade e não existe a partilha de dados pessoais com a beneficiária da doação. Caso a doação resulte numa fecundação bem-sucedida de um óvulo doado e posterior gravidez e nascimento, a dadora não tem nenhum direito ou dever relacionado com a criança.

 

Restrições

Antes e durante o processo de doação, as mulheres podem e devem fazer uma vida normal e saudável. No caso de tomar medicação contracetiva, a mulher deve parar de a tomar durante o ciclo de tratamento. Também é aconselhado a abstenção da prática de relações sexuais  e exercício físico durante os dias das injeções de hormonas e até ao regresso da menstruação.

 

A doação de óvulos é um ato de generosidade sem implicações negativas na vida da dadora. A sua fertilidade não é afetada. O tratamento hormonal realizado faz com que um maior número de óvulos madure, e, sem o tratamento, estes seriam perdidos na mesma, de forma natural. Adicionalmente, como parte do processo de doação, a dadora realiza uma consulta de ginecologia muito completa que permite detetar qualquer alteração no seu sistema reprodutivo que poderia passar despercebida e eventualmente levar a complicações de saúde.

Em Portugal, a lei permite que cada mulher doe óvulos quatro vezes ao longo da sua vida. Se estás a pensar doar, só precisas de ser saudável e ter entre 18 e 33 anos. Contacta o IVI Doa para mais informações.