Pelo Comité Editorial Blog IVI Doa

punção ovárica

Processo de punção ovárica

A punção ovárica é um passo essencial no processo de Fertilização In Vitro (FIV). Nos casos em que a mulher não consegue engravidar de forma natural, esta é uma técnica muito útil e eficaz para conseguir a fecundação.

No caso de a mulher não poder usar os seus próprios óvulos para o processo de fertilização, é necessário recorrer à doação de óvulos, um ato altruísta que permite que uma mulher realize o sonho de ser mãe. Neste caso, os óvulos da dadora serão recolhidos após a estimulação hormonal para que sejam viáveis para utilização no processo de Fertilização in Vitro.

 

Fertilização In Vitro

A Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica de procriação medicamente assistida, na qual a fertilização do óvulo pelo espermatozoide é realizada em laboratório. 

Quando se utilizam óvulos de uma dadora, os óvulos recolhidos por meio da punção ovárica são fecundados por espermatozoides com o objetivo de gerar um embrião que depois será transferido para o útero da paciente recetora da doação.

 

Punção ovárica

A punção ovárica, ou punção folicular, é um processo rápido e simples, normalmente realizado com sedação local, que consiste na recolha de óvulos que estão presentes no útero da mulher.

Para permitir que esta recolha seja possível e para que os óvulos sejam viáveis para utilização no tratamento de Fertilização in Vitro, a mulher realiza um tratamento não invasivo, para estimular os ovários através de hormonas. 

Os óvulos que são recolhidos através da punção são as células de reprodução feminina. As mulheres nascem já com todos os seus óvulos, presentes nos ovários, nas gónadas femininas. Cada mulher nasce com centenas de milhares destas células (óvulos) e só algumas se vão desenvolver na totalidade e ter a capacidade de serem fecundadas. 

Para estimular os ovários e o amadurecimento dos óvulos, a mulher realiza um tratamento simples que consiste na injeção de hormonas por baixo da pele da barriga com um dispositivo que torna o processo simples e essencialmente indolor. Este tratamento serve para que os folículos amadureçam de forma uniforme e para garantir um maior número de óvulos maduros e de boa qualidade disponíveis no momento da punção ovárica.

Após alguns dias de tratamento, entre 10 e 12 dias, o especialista em reprodução assistida determina qual será o momento mais adequado para a colheita dos óvulos. Normalmente, o tratamento tem início dois dias após o início da menstruação, por meio da aplicação de injeções com hormonas específicas, receitadas por um médico especialista. Para tentar garantir resultados satisfatórios com o tratamento, a estimulação ovárica é seguida por especialistas através de ecografias, o que permite aferir a necessidade de adequar a medicação ao longo do processo e também identificar o melhor momento para realizar a punção ovárica para recolha dos folículos. Adicionalmente, é determinado o estradiol no sangue para comprovar que o crescimento e a evolução dos folículos se encontram dentro da normalidade.

Cada folículo recolhido pode conter, no máximo, um óvulo. No entanto, também pode acontecer que o folículo recolhido não tenha nenhum óvulo. Por este motivo são, normalmente, recolhidos até seis folículos para se obter um número maior de óvulos maduros.

 

Processo de punção ovárica

Quando os resultados das ecografias realizadas indicam que os folículos alcançaram a dimensão adequada e quando a equipa médica especialista considera que um número adequado de óvulos se encontra disponível, é agendada a punção.

A punção ovárica, ou punção folicular, é agendada cerca de 36 horas após a administração de uma injeção da hormona hCG. Esta hormona serve para induzir a maturação ovárica, replicando a maturação que ocorre de forma natural durante o ciclo reprodutivo feminino. 

O processo é realizado sob anestesia local, de forma a garantir que a mulher não sente qualquer desconforto durante o procedimento.  A punção é feita de forma rápida e simples e o processo dura aproximadamente 15 minutos. A recolha dos ovócitos é realizada sob controlo ecográfico, através da vagina. É utilizado um guia através do qual passa uma agulha que aspira os folículos.  A agulha atravessa a vagina, chega ao ovário e alcança o folículo. 

De seguida, a mulher é encaminhada para o repouso pós-anestésico, para recuperar do efeito da anestesia. Por precaução, é recomendável repouso após este procedimento, evitando atividades intensas nas primeiras horas após o procedimento. Passado este período, a paciente ou dadora, pode retomar a sua atividade normal.

 

Fertilização e transferência

Após a punção ovárica e quando a equipa médica tem disponíveis os espermatozoides selecionados para a fecundação dos óvulos, pode dar-se início ao procedimento de inseminação dos ovócitos. Quando a fertilização dos ovócitos resulta na geração de embriões, realiza-se a transferência.

O processo de transferência consiste na introdução dos melhores embriões no interior do útero materno. Os restantes embriões, considerados de boa qualidade, são guardados através de vitrificação, para que não sejam desperdiçados e possam ser transferidos num ciclo posterior, sem necessidade de nova estimulação ovárica.

 

Doação de óvulos

Segundo a Lei Portuguesa as mulheres saudáveis que desejam doar óvulos podem fazê-lo entre 18 e 33 anos. A par da faixa etária mencionada, as candidatas não podem ser portadoras de doenças hereditárias nem podem ter uma infeção sexualmente transmissível. Adicionalmente, devem ser saudáveis, física e psicologicamente.

A Lei Portuguesa determina ainda que a doação de óvulos é um processo voluntário, de carácter benévolo. Como resultado deste processo, as dadoras são compensadas num valor máximo de 877,62 € (calculado de acordo com o dobro do Valor do Indexante de Apoios Sociais em vigor).

 

O processo de punção ovárica ou punção folicular, é realizado nos casos em que a mulher não tem folículos adequadamente desenvolvidos no ovário e é necessária estimulação adicional ou, nos casos em que a mulher tem dificuldades em conseguir engravidar com os seus próprios óvulos e por isso recorre à doação de óvulos.  Em qualquer dos casos, é um processo rápido e simples, que permite que a paciente regresse a sua casa no próprio dia. Após este procedimento é possível proceder à Fertilização In Vitro, para obter embriões já fecundados que são colocados no útero materno e que evoluem até conseguir uma gravidez.